segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Para Ler: Enfim, a emancipação masculina

Vale muito a pena dar uma lida no texto da Eliane Brum sobre a emancipação masculina:

Enfim, a emancipação masculina

O que é ser homem hoje? A boa notícia é que ninguém sabe

Lembro de um evento psicanalítico ocorrido em Porto Alegre, anos atrás, sobre “Masculinidade”. De repente, apareceu um engenheiro por lá, adentrando o mundo dos psis. Ele queria entender, como homem, a sua falta de lugar no mundo. Não sei se conseguiu, mas sua presença foi um belo movimento para fora do território conhecido, onde as contas já não fechavam, rumo ao insondável. Ainda tateando sobre esse tema tão fascinante, penso que a melhor notícia para todos nós é a confusão sobre o lugar do homem. Sobre isso, Laerte Coutinho, entrevistado no Roda Viva (TV Cultura) de 20/2, fez uma grande observação: os homens nunca fizeram a revolução masculina.

[...]

A certa altura da entrevista, ele/ela fez a seguinte observação: “Existiu a tal da revolução feminina, que é um dos marcos da humanidade. O que não aconteceu é a revolução masculina”. Laerte referia-se ao fato de que as mulheres já fizeram mil e uma rebeliões e continuam se batendo por aí. Marlene Dietrich, por exemplo, causou comoção por usar calças, mas isso em 1920! Quase um século depois, Laerte nos empapa de assombro por ir ao supermercado de saia. Isso diz alguma coisa, não?
Eu acho que não é nada fácil ser homem hoje em dia porque não se sabe o que seja isso. Mas, se essa dificuldade fez o engenheiro do primeiro parágrafo ousar se sentar na plateia de um seminário de psicanalistas para se entender, esta é também a melhor notícia possível para um homem. A princípio, os homens nunca precisaram fazer nenhuma revolução para conquistar direitos porque supostamente tinham todos eles garantidos desde sempre. Uma posição cômoda, mas apenas na aparência. Podiam fazer o que bem entendiam. Desde que fossem “homens”. E aí é que morava – e ainda mora, em muitos casos – a prisão. Podiam tudo, desde que fossem uma coisa só.


Leia o artigo completo em: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/02/enfim-emancipacao-masculina.html

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mexeu com uma, mexeu com todas!


A princípio, o propósito dessa coluna era trazer narrativas e exemplos de mulheres de todo o mundo que nos inspiram a sermos cada vez mais audaciosas. Mas dessa vez, vim falar de uma mulher que é uma vergonha para todas as demais companheiras espanholas que estão lutando por uma sociedade mais justa. 

 
Desde o ano passado, na toada da Primavera Árabe, desencadeou-se na Espanha um movimento, chamado 15M, que reivindica entre outras coisas uma democracia real. Desde então, em várias regiões do país, realizam-se periodicamente assembleias para se discutir diversas questões, como desemprego, desalojos, políticas governamentais de reforma laboral e educacional, representação, eleições, etc.

Recentemente, estudantes do Instituo Lluis Vives, da Comunidade Autônoma de Valência, saíram em massa às ruas para protestar contra a reforma educacional que se está realizando no país. Tal reforma, que visa a diminuição de gastos com universidades e institutos públicos e o cessar de contratação de professores, se insere no contexto das políticas de redução de gastos públicos, exigidos pela União Europeia para conter o aumento da dívida pública espanhola e evitar a ruptura da zona do euro. 

Os estudantes que portavam apenas livros como instrumento simbólico de luta, foram brutalmente agredidos pelos policiais antidistúrbio e 43 estudantes, inclusive menores de idade, foram presos. A atuação violenta dos policiais foi ordenada e legitimada pela Delegada de Governo, Paula Sánchez de León, que se justificou afirmando que os protestos foram realizados sem autorização da prefeitura de Valência. Segundo a Delegada, cada vez mais o 15M tem feito proliferar, desordeiramente, protestos que promovem a desordem e o desrespeito à segurança coletiva, e por isso a necessidade da atuação da polícia antidistúrbio.

Em reação a tal posicionamento, em diversas outras cidades, sob o grito de ordem lo que toca a una nos tocan a todas (mexeu com uma, mexeu com todas), estudantes e professores saíram às ruas em apoio aos colegas valencianos, exigindo a cassação do cargo da Delegada.  Ainda não se tem um posicionamento do governo espanhol a respeito disso. Infelizmente, Paula Sánchez é o desexemplo de mais uma dama de ferro que pensa que governar com pulso firme é sinônimo de legitimar ação policial violenta. E o diálogo com os movimentos sociais, mais uma vez, é esquecido. No Brasil não tem sido muito diferente, né?


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Larissa Araújo
Indignada latino-americana, a Lari vem tentando mudar o mundo e a si mesma. O Feminismo tem ajudado bastante.






sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Pequeno descanso




A correria na vida das Chicas e a necessidade de descanso no feriado fizeram o blog dar uma parada. Semana que vem estamos de volta com novidades!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Você é boa de cama?

Rachel Welch, 1960.

Taí uma pergunta difícil de responder. Como saber se eu sou ou se definir se a pessoa é boa de cama?Como o amor, sexo é um conjunto de possibilidades. Tatear no escuro as formas inexploradas do outro, detalhes do modo de sentir prazer. O que dói, o que não dói. O que poderia ser bom mas nem sempre é. O que combina com o humor ou com o momento. Com o dia. Com o lugar. Não se sorri todos os dias da mesma maneira, e não se faz sexo todos os dias da mesma maneira. E se você faz é porque não está se permitindo reaprender a cada gemido. Não precisa ser sempre super bom. Não precisa dar tudo certo. Não precisa estar tudo no lugar.

Perca o medo, a vergonha, a ansiedade. Construir barreiras às vezes é mais fácil que se entregar sem pudor. Se a transa for ruim, não tem problema. Sempre haverão outras possibilidades ;)


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Capitu

Gosta de música, de sexo e de outras atividades não muito banais. Voraz, cultiva fantasias e não tem medo de realizar seus desejos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Compreensões



Às vezes acontece de, mesmo sabendo tudo - prós e contras, entender que não é fácil e que vai doer de qualquer maneira - simplesmente dói. Dói muito. E por achar que não está doendo a outra pessoa me machuca. Quer me fazer sentir o que ela sente, quer extravasar, dizer o que veu não quero ouvir. E aí a minha dor fica maior ainda. 

Eu aprendi que para ela nunca devo dizer tudo. Limite. Aprendi que para ser quem eu sou na vida dela, não tem fraqueza, só tem tranco. Sem choro. Ela é que ensinou, quando eu achei que pelo menos em casa podia chorar. Tantas vezes desabei por confiar que ali era o meu lugar. Foram muitas brigas até eu entender que nem ali eu podia ser frágil. Limites, vazios, angústias, são coisas que não tem abrigo a não ser em mim mesma. É melhor chorar sozinha, no parque, debaixo da árvore, na calçada, na beira do lago. Porque magoar é prerrogativa de quem sente demais e atinge em cheio quem ainda não sabe como mostrar que sente.

Calar quando se tem muito a dizer. Engolir o choro, mesmo que ele fique o dia todo entalado na garganta. 
Remoer a raiva. Compartilhar com outras pessoas que se importam - aos poucos, porque elas tem a vida delas. 

Depois voltar a olhar nos olhos e quem sabe se fazer entender de outro jeito. Ou não, simplesmente sentir e ficar só. Solidões permanentes e vazios contínuos são vida também, como a matéria negra também é universo.

Tem dias que eu quero ser mais compreendida do que compreender.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quem é o novo ministro das cidades?



Se você está contente por terem escolhido uma feminista para a SPM, fique triste de saber que isso não significa que o governo tenha mudado seu propósito de ignorar o nosso passado militante. Aguinaldo Ribeiro (PP/PB) é acusado de matar João Pedro Teixeira, fundador da Liga Camponesa de Sapé (PB),em 1962 e também é apontado como possível responsável pelo assassinato da líder sindical Margarida Maria Alves, em 1983. Sabe a Marcha das Margaridas, que no ano passado levou quase cem mil mulheres às ruas de Brasília? Pois é, é organizada também em homenagem à luta dela. Depois de praticamente fingir que não viu o que acontece no Pinheirinho e no Santuário dos Pajés aqui em Brasília, não sei porque ainda me surpreendo com a falta de apreço da presidenta pelos movimentos e suas lideranças.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SPM tem nova Ministra


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(Agência Patrícia Galvão) Eleonora Menicucci de Oliveira, nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, cultiva a imagem de pesquisadora feminista com visão política independente, uma vez que é filiada ao Partido dos Trabalhadores, mas não participa do dia-a-dia do partido.

Mineira da cidade de Lavras, nascida em 21 de agosto de 1944, é divorciada e tem dois filhos - Maria, de 42 anos, e Gustavo, com 37 - e três netos, Stella, João e Gregório.

Na juventude, interessa-se pelo ideário socialista e inicia sua participação em organizações de esquerda após o golpe militar de 64. Passou quase três anos na cadeia em São Paulo, de 1971 a 1973.

Ao sair da prisão, reorganiza sua via em João Pessoa, na Paraíba, onde inicia sua carreira docente na Universidade Federal da Paraíba. É nesse período que a militância feminista e a paixão pela pesquisa sobre as condições de vida das mulheres brasileiras ganham relevo na sua trajetória acadêmica e política.

Eleonora Menicucci de Oliveira é feminista de primeira hora, da chamada "segunda onda do feminismo brasileiro", que acontece a partir de 1975.
Como pesquisadora e professora titular da Universidade Federal de São Paulo, publica regularmente artigos e estudos sobre temas críticos da condição das mulheres nos campos da saúde, violência e trabalho.


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Breve curriculum da nova ministra
Eleonora Menicucci de Oliveira
Professora Titular em Saúde Coletiva no Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atualmente é Pró-Reitora de Extensão da Unifesp.

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (1983), doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1990), pós-doutorado em Saúde e Trabalho das Mulheres pela Facultá de Medicina della Universitá Degli Studi Di Milano (1994/1995) e livre docência em Saúde Coletiva pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (1996).

Experiência acadêmica e docente nas áreas de Sociologia e Saúde Coletiva, com ênfase em Sociologia da Saúde, atuando principalmente nos seguintes campos de pesquisa: saúde e relações de gênero; violência de gênero e saúde; mulher trabalhadora e saúde; saúde reprodutiva e direitos sexuais.
Sua trajetória acadêmica é marcada por participações em conselhos e comissões e por consultorias em políticas públicas e direitos das mulheres.
Atividades relevantes na sociedade civil

2006 a 2011 – Membro do Grupo de Trabalho de Gênero da Abrasco (Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva), criado em 1995 com a finalidade de contribuir com o ensino e a produção do conhecimento sobre os impactos das desigualdades sociais entre homens e mulheres na saúde.

2008 até o momento – Membro do Grupo de Estudos sobre Aborto (GEA), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

2003 a 2007 – Assessora especial da Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

2002 a 2004 – Relatora para os Direitos à Saúde Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil. A Plataforma Dhesca surgiu como um capítulo da Plataforma Interamericana de Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento (PIDHDD), que se articula desde os anos 1990 para promover a troca de experiências e a soma de esforços na luta pela implementação dos direitos humanos.

1998 – Cofundadora e coordenadora da Casa de Saúde da Mulher Domingos Delascioda Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que atende mulheres vítimas de violência sexual.

1990 a 1994 – Membro do Conselho Nacional de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde, instância máxima de deliberação do Sistema Único de Saúde (SUS), representando a Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos.

1990 a 1994 – Membro da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (CISMU)vinculada ao Conselho Nacional de Saúde, para formulação, monitoramento e controle das políticas públicas da saúde integral da mulher.
1991 – Cofundadora da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos e Sexuais.
1984 a 1986 – Membro e coordenadora do Grupo de Trabalho de Gênero da ANPOCS(Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais).

1983 – Membro do Grupo de trabalho que assessorou a Comissão Especialconvocada pelo Ministério da Saúde (MS) para a redação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM). O grupo foi constituído pela médica Ana Maria Costa, da equipe do MS; Maria da Graça Ohana, socióloga da Divisão Nacional de Saúde Materno-Infantil (DINSAMI); Aníbal Faúndes e Osvaldo Grassioto, ginecologistas e professores do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indicados pelo dr. José Aristodemo Pinotti, chefe daquele departamento.
Décadas de 1980 e 1990 – Assessora especial da Comissão Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
1983 – Membro da 1ª Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores.

Participação no C
onselho Nacional dos Direitos da Mulher
1- Nas gestões de Ruth Escobar (1985/1986), Jacqueline Pitanguy (1986/1989) e Rosiska Darci de Oliveira (1995/1999), contribuiu como consultora técnica para as áreas de saúde integral da mulher e violência de gênero.
2- Na gestão Jacqueline Pitanguy (1986/1989), foi membro da 1ª Conferência da Saúde e Direitos da Mulher.
3- Na gestão de Nilcéa Freire (2004/2011), foi membro do Grupo Técnico de elaboração dos Editais para Pesquisas de Gênero, em conjunto com o CNPq.

Alguns artigos publicados

Ambiguidades e contradições no atendimento de mulheres que sofrem violência.Oliveira, E. M.; Amaral, L. V. C.; Vilella, Wilza Vieira; Lima, L. F. P.; Paquier, D. C.; Vieira, T. F.; Vieira, M. L. In Saúde e Sociedade (USP. Impresso), v. 20, p. 113-123, 2011.

Atendimento às mulheres vítimas de violência sexual: um estudo qualitativo, Oliveira, Eleonora Menicucci de; Barbosa, Rosana Machin ; Moura, Alexandre Aníbal Valverde M. de; von Kossel, Karen; Morelli, Karina; Botelho, Luciane Francisca Fernandes; Stoianov, Maristela. In Revista de Saúde Pública / Journal of Public Health, São Paulo, v. 39, n. 3, p. 376-382, 2005.

Reestruturação produtiva e saúde no setor metalúrgico: a percepção das trabalhadoras. Oliveira, E. M. In Sociedade e Estado, v. 21, p. 169-198, 2006.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O teste da estante



Não começa com o banheiro, nem com a escolha do lado na cama, nem com a divisão do guardarroupa. A vida a dois começa com uma estante.
Pouco depois que a estante nova chegou, corremos para arrumá-la com o entusiasmo de quem constrói um castelinho de areia juntos na praia. Um faz o fosso enquanto o outro arruma a ponte. Certos de que tudo vai ficar a contento no final.
Mas arrumar uma estante a dois, assim como fazer o castelo de areia, significa considerar que ela um dia pode se desfazer. Tirar os carimbos ex libris de cada um das caixas e definir com cuidado o que é de quem, contemplar o fim do amor, deixar para depois a decisão sobre o que faremos com os livros comprados em conjunto porque aí também já é demais.
Mal sabíamos que a marcação de território era o começo de uma série de decisões desafiadoras sobre a vida a dois.
Um dia li um livreto que falava sobre o fato de termos livros demais, que me apaziguou com relação aos meus tantos comprados e ainda não lidos. A biblioteca pessoal é um projeto, dizia o autor. Nela consta também, e sempre, e principalmente, o que queremos ler. A biblioteca também é algo que se mostra, para despertar o interesse nos visitantes. E quem disser que nunca pensou nisso está mentindo.
Aqui em casa, felizmente para os projetos de leitura e de impressionamento de visitas, temos gostos parecidos – mas não parecidos demais – e um interesse mútuo pelos gostos do outro. Funcionou assim com quadros, móveis, roupas de cama, tintas de parede. Mas para arrumar a estante também foi preciso compreender que nem sempre seria. Nem todos os livros delecombinavam com os meus. As lógicas de organização, que até então pareciam, na maior parte das vezes, harmônicas, caminhavam em direções completamente distintas.
Brigamos pela arrumação dos quadrinhos (por autor! por tamanho? por cores…). Pela colocação dos bibelôs. Pela função que deveria prevalecer na hora de organizar os livros nas prateleiras do escritório – estética ou prática. Ele me acusou de não deixá-lo imprimir sua marca em nenhuma das pilhas de livros. Eu o acusei de estar sendo injusto, mas mal o deixei imprimir sua marca nas pilhas de livros.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Vamos ter uma conversa ao pé do ouvido



Antes de mais nada, podem se despir dos seus pudores: essa coluna vai falar de sexo.


Nada mais nada menos que esse tabu que, como diriam uns "entendidos" do assunto, é tão fundamental para entender os indivíduos e a nossa sociedade. Enfim, se é mesmo tão importante nas análises e teorias, eu não sei. Só sei que é importante que se fale e assim como a prática, quanto mais melhor.

O assunto merece ser tratado com alguma delicadeza, porque de banal já bastam os programas de TV aberta. Mas não tão devagar, porque não sou missa e não quero que vocês tenham vontade de fazer qualquer outra coisa que não conversar comigo.  

Saibam logo que sou um tanto carente... na medida que ela me motiva a procurar prazer. Por isso mesmo também sou atirada, me jogo, sou fácil, sou dada. Do mesmo jeito, gosto de gente que sorri, que abraça, que se entrega, mostrando os seus limites, as suas contradições, os seus desejos. Gosto de corpos e da complexidade que vai além do que se vê. Um conjunto que inclui uma personalidade cativante é mais envolvente para mim do que um amontoado de músculos sem expressão, sem vivacidade.

Quando quero, quero, não gosto de meio termo e coisas mornas. Me sacio com o jogo, com a dedicação ao prazer que vai além do orgasmo, então não esperem um manual de posições ou práticas sexuais. Talvez uma dica aqui e outra ali, já que o tema é mesmo tabu e às vezes simplesmente não temos com quem conversar.

Reivindico o direito de escolher com quem eu vou para a cama, com a mesma energia que reivindico os meus espaços. Só amo em liberdade. Meu prazer é conhecer a outra pessoa, saber das nossas diferenças, mas olhar no olho e vê-la como igual.

Mas essa sou eu. Mesmo que você não concorde, que se entregue de outra maneira, que se apaixone por outras coisas, que sinta prazer outros jeitos, insisto um pouco, vá ficando... Puxa a cadeira, olha, lê, pergunta, discute. Vou adorar.

Se você tá gostando, quer ler mais sobre isso, recomendo o Biscate Social Club e o Cem Homens.


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 Capitu

Gosta de música, de sexo e de outras atividades não muito banais. Voraz, cultiva fantasias e não tem medo de realizar seus desejos. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Repisando o óbvio



Este ano começou, pra mim, com um sentimento forte de que “são tempos difíceis para os sonhadores”. Logo nas duas primeiras semanas de janeiro,movimento pacífico contra o aumento de passagens de ônibus em Teresina foi reprimido com truculência pela polícia. O padrão se repetiu em Recife e em Vitória. Alguns dias depois, em pleno domingo, a PM paulista, agindo do mesmo modo em Pinheirinho, para desalojar milhares de famílias, causou pânico, atirou e, segundo relatos que talvez nunca sejam averiguados, até mesmo matou. Como esses, houve vários outros grandes e pequenos episódios que, em dias mais difíceis, ameaçam afetar nossa capacidade de sonhar.

Nesse meio tempo, numa discussão sobre um desses episódios lamentáveis, li a seguinte frase: “se feminismo é bom, por que machismo é ruim? Feminismo hoje em dia é só luta por privilégios”. Poucos dias depois, ouvi ainda que “feminismo e machismo são duas faces da mesma moeda. No fim, são a mesma coisa”. Ouvir esse tipo de proto-pensamento até hoje, depois de anos de luta feminista e de mudanças mais lentas do que gostaríamos, num ano que já começa difícil, ajuda nesse processo de desânimo. Mas minha capacidade de sonhar é maior, e eis-me aqui, por ela, repisando o óbvio.

Uma simples ida ao dicionário já permitiria concluir que feminismo e machismo não são “duas faces da mesma moeda”. O primeiro é definido como movimento por equiparação de direitos entre homens e mulheres. O segundo, como atitude de quem não aceita tal equiparação.

É necessário, no entanto, ir além da superficialidade que é tomar as palavras apenas pelo seu sentido literal e perceber a profunda distinção entre os termos em diversos outros âmbitos, por meio dos quais é possível clarificar, ainda, a carga simbólica que cada um desses comportamentos carrega.

Feminismo e machismo sob uma perspectiva jurídica

Constituição de 1988 estabelece como objetivos fundamentais da Repúblicas Federativa do Brasil, dentre outros, “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Adiante, dispõe que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”.

O que se busca garantir, a partir dessas disposições, é, especialmente, que a igualdade de que se trata seja material, concreta – isto é, que as diferenças entre as pessoas sejam tão somente diferenças, e não pretexto para hierarquias. Ou, nas palavras já clássicas de Boaventura de Sousa Santos, o que se busca garantir é o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza e de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.

Os feminismos são, precisamente, lutas para que as diferenças entre gêneros não justifiquem a opressão de um sobre os outros, de modo a assegurar que a igualdade, já formalmente garantida, seja convertida em realidade. Portanto, numa cultura ainda patriarcal, os movimentos feministas,infelizmente, ainda permanecem atuais e necessários. Sobre isso, discorreu brilhantemente Boaventura, em artigo de opinião escrito por ocasião do dia internacional da mulher, em 2011:

Sob formas que variam consoante o tempo e o lugar, as mulheres têm sido consideradas como seres cuja humanidade é problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando comparada com a dos homens. À dominação sexual que este preconceito gera chamamos patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura patriarcal. A persistência histórica desta cultura é tão forte que mesmo nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela consagração constitucional da igualdade sexual, as práticas quotidianas das instituições e das relações sociais continuam a reproduzir o preconceito e a desigualdade. Ser feminista hoje significa reconhecer que tal discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja eliminada. Nas actuais condições históricas, falar de natureza humana como se ela fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico seja no plano político, é pactuar com o patriarcado.

Felizmente, ainda que devagar, as mesmas instituições que reproduzem preconceito e desigualdade já oferecem algumas respostas legais e jurídicas para o que, no mesmo artigo, Boaventura denomina violência hardcore.

Nessa categoria, são facilmente encaixáveis as violências cometidas por homens contra suas companheiras. Estatísticas demonstram que esse tipo de atitude não é circunstancial e que, assim sendo, só pode ter relação direta com a cultura em que estamos inseridos, que permite de tal forma o domínio de um gênero sobre o outro. A resposta legal veio por meio da Lei Maria da Penha, cuja eficácia é prejudicada pelo medo de denunciar, pelascampanhas endossadas pelo próprio governo que só focam na vítima, pela cultura generalizada de que em briga de marido e mulher não se mete a colher, pela humilhação que é estar diante de policiais e juízes que desqualificam o problema.

Ainda na categoria da violência hardcore, encontram-se, por exemplo, o estupro e estupro de vulnerável, para os quais as respostas legais se encontram, respectivamente, nos artigos 213 e 217-A do Código Penal. O enfrentamento jurídico dessas práticas, no entanto, encontra os mesmos óbices que encontra a persecução criminal nos casos de violência doméstica.

Mas o que ocorre, especialmente, é que não dá pra jogar apenas para o direito, muito menos do direito penal, a solução de um problema que, conforme já se afirmou, é manifestante cultural. Especialmente porque, além das violências hardcore, para as quais se vislumbram as respostas citadas acima, dentre outras, somos cercados todo o tempo por violências softcore, “insidiosas e silenciosas”, que admitem que uma mulher de saia curta é menos que uma que esconde seu corpo, que mulher que transa no primeiro encontro não “é pra casar”, que advogada quando vai despachar com ministro tem mesmo é que se insinuar, dentre tantas outras pequenas práticas e proto-pensamentos cotidianos que ainda põem as mulheres nessa posição de inferioridade.

Perante esse quadro, não consigo visualizar posição “central” ou “moderada”. Quem endossa essa cultura é machista, e se orgulhar ou não disso vai da consciência de cada um – o importante é que se tenha clareza que o que se está endossando não é apenas uma posição macha pessoal, mas uma cultura que oprime, viola, machuca e mata há séculos. Quem luta contra ela, seja com que armas for, é feminista, ainda que não se sinta confortável sob essa denominação. A diferença é essa. Simples assim.




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Milena Pinheiro

"Que no se ocupe de ti el desamparo, Que cada cena sea tu última cena, Que ser valiente no salga tan caro, Que ser cobarde no valga la pena. (...) Que el corazón no se pase de moda..."

Quando o relacionamento aberto vira monogâmico


Foto: George Easteman House, no Flickr


Antes de tudo é muito difícil definir o que é um relacionamento aberto. Alguém ai sabe me dizer? Me disseram que é quando você namora mas os envolvidos são livres para estarem se relacionando com outras pessoas, se permitindo viver outras experiências. E quando você tá ficando com uma pessoa há meses, mas não tá namorando (quando as pessoas estão envolvidas, agindo para além da racionalidade e do desejo): isso é um relacionamento aberto?

Bom, a situação na qual me vi envolvida foi essa: uma relação meio estranha de ficar, ficar sem saber o que realmente cada um sente e espera. Dai veio a vontade de ficar só com essa pessoa, ainda que vez ou outra tenha ficado com outras. Mas a contrapartida não era a mesma. E ai a outra pessoa fica com seu melhor amigo. Como se sentir? Tenho o direito de sentir ciúmes? Acho que sim, afinal quem tá sentindo sou eu, né!

De repente me vem à cabeça a reflexão de que afinal o relacionamento aberto se transformou unilateralmente em monogâmico. E apesar de carecer de maiores acúmulos sobre o que é ser monogâmico, acabei ficando sugestionada a crer que a culpa é dela. Esse sentimento de posse, de pertencimento e de controle parece ser característico dela. Poxa, não quero isso pra mim, pra ninguém! Nunca acreditei no amor como vício, como dependência do outro, e essa tal monogamia, no sentido acima referido, nem sempre me pareceu o tipo de relação mais legal.

E como dar marcha atrás e voltar pro relacionamento aberto? Sei lá, sequer sei o que é um relacionamento aberto, né!? E ai, alguém ajuda?




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