domingo, 30 de outubro de 2011

Blogueiras que agitam

As blogueiras andam mesmo agitando na rede, colocando muitas questões feministas interessantes em pauta.
Na semana que passou:

Blogueira do Escreva Lola escreva fala sobre feminismo na era virtual e polêmicas com CQC
  
Sejam mais críticas com o mundo e menos críticas com vocês mesmas e com outras mulheres. Já temos um mundo bastante hostil em relação a nós, um mundo que, apesar de estar em franca mudança, ainda é muito desigual. Então definitivamente não precisamos de mais inimigas. Por isso, não insultem mulheres, e pensem duas vezes antes de usar termos que só existem para condenar mulheres (por exemplo, galinha, piranha, baranga, mal amada). Essas palavras são ofensivas, mas "feminista" tá longe de ser um insulto. Quem quer igualdade entre os sexos é feminista.
Leia a a entrevista completa no site da Revista TPM.
  • A Luka, do Bidê Brasil, gravou um programa bem legal sobre jovens militantes:
Entrevista que eu gravei para a TVT sobre juventude e movimentos sociais, o tema desta entrevista era, obviamente, o direito das mulheres e o movimento feminista. Esta foi a primeira matéria de várias que rolaram na TVT sobre diversas atuações de jovens em movimentos sociais, vale a pena assistir todas desta série.
 http://bdbrasil.org/2011/10/27/3484/


P.S: Ai, gente, eu acho a Rosa muito lidinha.

  • A Letícia, do Cem Homens, deu entrevista para a Revista O Globo:



As pessoas não querem fazer sexo. Querem gozar e falar de sexo. Fazer bem é diferente.


E Letícia colocou os links para as reportagens da Revista no blog.

Para quem ainda não conhece o blog, dá para conhecer melhor a história e acompanhar como é falar sobre sexo na rede, da perspectiva de uma mulher com ideais feministas.


  
Todas estão muito legais, vale a pena ler!

Como ser uma gorda feliz?


A pergunta não é como ser uma gorda feliz, é como ser uma pessoa feliz. E isso independe de ser gorda ou não. Porque sabe, você pode ser magérrima e não ter quem gosta por perto. Você pode ter olhos lindos e não conseguir lidar com os próprios sentimentos. Você pode perder o sentido da vida mesmo sendo muito rica. Porque cada pessoa é diferente uma da outra, pensa diferente, tem um corpo diferente, age diferente. E ninguém é melhor por ter uma outra outra qualidade diferente das outras pessoas. Talvez isso chame mais atenção quando as pessoas a conhecem. Só que isso não determina o quão importante ela será na vida das pessoas.

A Adele é mais importante na minha vida do que a Gisele Bündchen, por exemplo. Eu não conheço nenhuma das duas e mesmo depois da campanha da Hope nunca cheguei a odiar a Gisele. Só que a voz da Adele me emociona e eu acho ela uma coisa linda que só. Sem igual.
E a Gisele é linda, mas eu não me emociono quando ela entra na passarela. Ela não diz coisas que me fazem repensar a minha vida. Ela só trabalha como todas as outras modelos, emprestando seu corpo para vender um produto. 

Porque então tanta gente se tortura para alcançar este padrão quando não é isso que realmente importa?

P.S: Achei muito ofensivo o que disseram para a Lola no twitter. Sempre apelam para a questão da aparência em um debate de idéias e é muito triste quando é uma feminista que faz isso.

P.S2: Vale a pena escutar:



________________________________________________________________________________

 Priscilla Brito

Tem problemas de concentração e pensa milhões de coisas ao mesmo tempo. Quase sempre, são planos de como mudar o mundo a partir das inspirações feministas cotidianas.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mídia racista: mulher negra não pode ser musa do Pan

"Nesta terça-feira, a norte-americana de nascimento Rosângela Santos conseguiu a primeira medalha brasileira do dia chegando justamente no lugar mais alto do pódio nos 100 m rasos. Com direito a recorde pessoal (11s22), ela deixou para trás a bela compatriota Ana Cláudia Lemos e faturou a 999ª medalha do Brasil na história do Pan".

A audácia das indígenas




Estive pensando muito sobre de que nacionalidade seria a primeira mulher cuja história de vida seria retratada no primeiro texto dessa coluna. E depois de muito pensar, se falaria das egípcias, das palestinas, das líbias, das espanholas, das francesas, das chilenas, das colombianas ou das norte-americanas que tem feito suas revoluções atualmente por todo o mundo, decidi que seria justo que devesse ser da mulher brasileira que mais tem me tocado o coração nas últimas experiências de vida que tive recentemente: a mulher indígena. 


Casa de Reza Guyra Roka. Por Identidade e Diversidade, no Flickr em CC (alguns direitos Reservados).

Para mim, a história dela mostra que a luta que a América Latina vem passando todos esses séculos contra a exploração e violência de outros povos continua e é latente.

Não sei o nome e nem de qual etnia a índia que me levou a escrever esse texto pertence. E tampouco tenho uma história surpreendente para contar. Ela me inspirou pelo simples fato de estar enfrentando, com seu filho pendurado por um tecido a tiracolo, as máquinas que desmatavam o cerrado nativo na reserva do Bananal e os seguranças que impediam a retirada das cercas colocadas pelas empreiteiras em solo pertencente ao Santuário dos Pajés, na capital do nosso país. 



 
Mãe Guarani e Seu filho. Ronai Rocha, no Flickr, em CC.



Fiquei comovida ao ver a situação em que estava essa índia por dois motivos: primeiro porque me faz pensar em quantas índias não fizeram o mesmo durante todos os anos de extermínio dos povos indígenas na época da colonização; quantas índias não foram obrigadas a migrar cada vez mais para dentro para proteger seus filhos e consequentemente proteger a continuidade de sua etnia; etc, etc, etc, para não ficar falando das barbáries pelas quais já passaram as índias do nosso Brasil. Segundo porque me fez pensar como a nossa sociedade divide de maneira tão clara os papéis dos homens e das mulheres. Sem querer idealizar os indígenas e defender o mito do bom selvagem, porque também dentro das comunidades indígenas existe a questão da construção de gênero. Porém, a uma mulher geralmente lhe é atribuído o papel de realizar o trabalho reprodutivo e no meio privado. Esta índia cumpria seu papel perfeitamente. Porém ela também estava ocupando um espaço público, de embate, que geralmente é atribuído apenas aos homens. Era a emoção de uma mãe que movia uma mulher a agir como guerreira e defensora de sua terra.

Bom, é com esse relato singelo que procuro abrir minhas reflexões sobre a indignação de mulheres de todo o mundo. Relato singelo, mas que por trás possui uma complexidade de questões envolvidas. Perceber como as índias atuam em prol de uma causa nos faz pensar não só nelas, mas em nós, em mim, como brasileira e mestiça. 

Para saber um pouco mais sobre a luta das mulheres indígenas no Santuário dos Pajés, em Brasília:



No facebook: Carta de Apoio.
______________________________________________________________________________
Larissa Araújo

Indignada latino-americana, a Lari vem tentando mudar o mundo e a si mesma. O Feminismo tem ajudado bastante. Contribui com a coluna "Mulheres pelo Mundo".


sábado, 22 de outubro de 2011

HOPE não ensina à Conar o que é estereótipo

No julgamento sobre a Campanha da HOPE, o CONAR alegou que "os estereótipos presentes na campanha são comuns à sociedade e facilmente identificados por ela, não desmerecendo a condição feminina".

Só faltou explicar para a CONAR que os estereótipos sustentam comportamentos preconceituosos justamente porque são pré-concepções sobre a imagem de uma pessoa ou de um grupo. É algo sobre o qual não refletimos muito e por isso reproduzimos cotidianamente. 

Foto de Madmoiselle no Flickr, em CC.

Ou seja, o perigo do estereótipo é justamente ele ser “facilmente identificado pela sociedade”. O que a campanha veicula é algo que desmerece a condição feminina ao falar explicitamente que ela precisa estar de calcinha e sutien para não ser responsabilizada por qualquer coisa feita contra a vontade do seu companheiro.

A SPM declarou que não vai recorrer. Talvez devesse, embora seja uma briga que nem valha tanto a pena. Briga grande mesmo seria ter um conselho regulatório formado pelo governo, especialistas e representantes da sociedade civil e não um que fosse das próprias agências de publicidade.



Foto: http://www.flickr.com/photos/soloflight/with/4362219954/

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Blogueiras Feministas

Neste final de semana acontece em São Paulo o I Encontro Nacional das Blogueiras Feministas. O grupo, formado por mulheres de quase todo o país, vai se encontrar presencialmente pela primeira vez, nesse evento que promete entrar para a história.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“Hope Ensina” a desrespeitar as mulheres

É recorrente as publicidades trazerem representações estereotipadas das mulheres. A propaganda da Hope é só mais um caso de publicidade que desrespeita, faz uso abusivo do corpo feminino, estigmatiza e perpetua estereótipos.
A campanha “Hope Ensina” coloca Gisele Bundchen ensinando as mulheres a ficarem de lingerie quando têm que dizer para os maridos que bateram o carro, ou extrapolaram o limite do cartão de crédito, e, para isso, devem tirar a roupa.


                

 A lógica da Hope se repete em várias outras publicidades: a mulher oferece ao homem a única coisa que tem de interessante. O corpo e sexo. Ela usa o “capital erótico” a seu favor e oferece o corpo como moeda de troca. Absurdos como estes são produzidos e reproduzidos pela mídia. 


Não vou, desta vez, analisar essas publicidades, porque o que me indignou, talvez até mais do que a própria publicidade, foram os argumentos contrários à ação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que entrou com representação no CONAR pedindo a suspensão da propaganda.

Os argumentos são os mais diversos. Porque insistem em deslegitimar a luta falando que temos algo mais importante para fazer? Pior: quem fala isso são jornalistas. Os argumentos são tão rasos que acho que eles mesmos não conseguem ver para além dos aspectos físicos. Se critico é porque sou “feia, gorda e... feminista”?! Então, se um homem faz a mesma critica ele é o quê?

Curioso é perceber que tentam evidenciar uma “guerra entre mulheres”. Gisele x Iriny, feministas x femininas, sensuais x mal-amadas! Tudo é válido para deslegitimar nossa luta quando não há argumentos plausíveis. Como se tivéssemos que “escolher” um lado! Nós não somos tão dicotômicas. E o mais irônico é falar isso para quem luta pela garantia do direito de todas as mulheres.



Outro argumento absurdo é o da censura. Tudo que vai contra a manutenção do status quo é censura! Se você pensa diferente de mim, está me censurando! Oras! Em um regime de censura, o material é analisado previamente. Já com mecanismos de controle social e, principalmente, participação social, o monitoramento é feito pela própria sociedade civil com respaldo de organismos governamentais e a palavra final é dada pelo conselho de publicitários. Onde ta a censura? O simples fato de existir instrumentos como ouvidorias, conselhos, etc, já indica que vivemos em um regime democrático. E, enfatizo: democrático não é impor uma ideologia, mas evidenciar as diversas ideologias.



Bom, voltando aos procedimentos. Me proponho a explicar o bê-a-bá, principalmente para os jornalistas, que parecem não entender a atuação do Governo. Diversas pessoas denunciam uma dada publicidade por acharem desrespeitosa com as mulheres. A Ouvidoria da Secretaria de Políticas para as Mulheres recebe essas denuncias e encaminha um oficio ao CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que, como o próprio nome diz, é uma instância de autorregulamentação do setor, portanto, não governamental. Portanto, não é censura! Inclusive, uma das prerrogativas do Conselho é que se considere o senso de responsabilidade social, evitando acentuar diferenciações sociais.

O que me surpreende é ver que não há ligação de idéias.
Por que temos tão poucas mulheres em espaços de poder e decisão seja no meio político, científico e até mesmo publicitário? O que isso tem a ver? Tudo! Precisamos começar a concatenar as idéias. Será que o pensamento de quem critica pode ser tão raso que não conseguem ver além do fato em si? A questão não é simplesmente a publicidade da Hope, mas as pequenas conseqüências desta.

Vivemos uma realidade em que 40% das mulheres sofrem violência doméstica. Em uma sociedade em que a mulher é vista como propriedade do homem, e esta submetida aos desejos e vontades do marido. E ainda acreditamos ser inofensiva uma propaganda em que a mulher usa o corpo como moeda de troca? “O que tem de errado com a sensualidade feminina?” Nada errado! A questão nunca foi a sensualidade. Eu gosto de ser sensual, mas acima de tudo, gosto de ter autonomia. Lutamos para ter autonomia de ser o que quisermos. E, me desculpem, mas a minha concepção de autonomia não está na minha sensualidade. São conceitos que não se cruzam. Afinal, eu não preciso tirar a roupa e fazer beicinho para ser ouvida! Ou não deveríamos precisar...

Volto aos argumentos absurdos. “Mas é só uma piada! Não tem senso de humor? Levem as coisas menos a sério”, e ao mesmo tempo: “vocês não tem nada mais sério para fazer?”. Peraí! Fiquei confusa! É pra ser séria ou não é pra ser séria? O que eu devo ser [fazer, pensar, falar] mesmo?
A crítica é válida e é séria. E a piada nunca é só uma piada. Ela reforça preconceitos e estereótipos. Estamos cansadas de ser naturalizadas como “do lar”. Estamos cansadas de sermos vistas como só um corpo. Ou será que eu deveria vestir minha lingerie e falar com voz meiga e infantil: “amor... é que... eu... estou cansada de ser só um corpo”?

Espero que os publicitários pensem um pouco antes de idealizar uma campanha dessas. E, eu vou continuar denunciando às ouvidorias e conselhos quaisquer publicidades que sejam racistas, sexistas, homofóbicas ou desrespeitosas.

Afinal, quem ta sendo prejudicadao/a? Certamente não é a Hope, nem a Gisele.


Update: A ministra concedeu uma entrevista às Blogueiras Feministas sobre o assunto, como é possível ver no link: http://blogueirasfeministas.com/2011/10/iriny-lopes/

______________________________________________________________________________
 
Júlia Zamboni

Colecionadora de sonhos, as vezes tira um da caixinha e tenta realizá-lo. Além disso, é antropóloga, mestranda em comunicação social, feminista e foi uma das organizadoras da Marcha das Vadias em Brasília.





______________________________________________________________________________


O que eu vou ser quando crescer?

 
 
Opa, eu já cresci! E o que eu sou? Sou mulher, como pouco mais da metade da população mundial. Sou mulher branca, jovem, heterossexual, não sou pobre e posso dizer que nunca passei por nenhuma discriminação que me constitua. A não ser que você considere não ser pop na escola uma opressão muito grande. No momento pode até ser meio opressivo, mas acho que isso não gera grandes traumas. Tá, isso não diz muita coisa sobre mim, acho que são incontáveis as pessoas que se encaixam nesse padrão. Sou cientista política. Isso lá é profissão? Não existe nem mesmo entre as opções quando se vai abrir uma conta em banco! Pesquisadora é melhor? Parece um pouco recenseador do IBGE... não é bem isso, mas vai lá. Hobbies? Danço, pinto, leio, vou ao cinema e por que não, assisto novelas. Crenças? As mais contraditórias: esquerdista, feminista, católica, aceitando tudo mais que parecer fazer sentido, pelo menos por um instante.
Liquidnight, no Flickr, em CC (alguns direitos reservados)

Tudo isso é para dizer o quanto é difícil me definir. Passamos boa parte da vida querendo ser alguma coisa, e parece que esquecemos que o verbo ser é também intransitivo. Eu sou tudo isso, mas isso não me define, porque além de ser tudo isso, eu sou, e ponto final. Me constituo pela minha origem, sexo, cor de pele, trabalho, crenças, hobbies, mas não só por isso. Se assim fosse, quantas iguais a mim existiram no mundo? E por causa disso, também é tão difícil pensar em fórmulas. Não só em fórmulas para o sucesso, como em livros de auto-ajuda, até porque não escreveria sobre isso nesse blog (nem em lugar nenhum), mas também fórmulas políticas.

Politizar-se pode ser afirmar cada coisa que você é: esquerdista, feminista, progressista e todos os istas que podem existir. Mas não é, nem pode ser só isso. Porque se for, o adjetivo vira o principal da frase e o ser, só uma ligação entre sujeito e predicativo. Mas é o ser que dá vida ao sujeito, é ele o essencial, e não o adjetivo. Politizar-se pode ser, então, ser antes de qualquer coisa, e permitir, ao longo do tempo, perceber quais predicativos você quer colocar à direita do seu ser, mas para isso, o adjetivo não pode ser o principal.

Nesse momento em que estou, ter uma identidade, uma autonomia é uma das necessidades mais urgentes que se apresenta cotidianamente. Parece até papo de gente que não sabe o que quer, mas é verdade, e talvez seja mesmo isso que eu sou... Mas que problema há nisso? Essa busca constante me traz uma ansiedade imensa porque parece que eu preciso mostrar o tempo inteiro para mim e para quem quiser me ver o que eu sou. Mas eu não preciso ser nada, só preciso ser. Ponto final.


____________________________________________________________________________



Paula Pompeu

Nas palavaras da Pri: "Como um frevo suave e alegre". E com suavidade e alegria busca encontrar seu lugar no mundo!
*Contribui com o blog com textos de reflexões cotidianas.





____________________________________________________________________________ 

Twitter Facebook Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates