Estive pensando muito sobre de que nacionalidade seria a primeira mulher cuja história de vida seria retratada no primeiro texto dessa coluna. E depois de muito pensar, se falaria das egípcias, das palestinas, das líbias, das espanholas, das francesas, das chilenas, das colombianas ou das norte-americanas que tem feito suas revoluções atualmente por todo o mundo, decidi que seria justo que devesse ser da mulher brasileira que mais tem me tocado o coração nas últimas experiências de vida que tive recentemente: a mulher indígena.
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Casa de Reza Guyra Roka. Por Identidade e Diversidade, no Flickr em CC (alguns direitos Reservados). |
Para mim, a história dela mostra que a luta que a América Latina vem passando todos esses séculos contra a exploração e violência de outros povos continua e é latente.
Não sei o nome e nem de qual etnia a índia que me levou a escrever esse texto pertence. E tampouco tenho uma história surpreendente para contar. Ela me inspirou pelo simples fato de estar enfrentando, com seu filho pendurado por um tecido a tiracolo, as máquinas que desmatavam o cerrado nativo na reserva do Bananal e os seguranças que impediam a retirada das cercas colocadas pelas empreiteiras em solo pertencente ao Santuário dos Pajés, na capital do nosso país.
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| Mãe Guarani e Seu filho. Ronai Rocha, no Flickr, em CC. |
Fiquei comovida ao ver a situação em que estava essa índia por dois motivos: primeiro porque me faz pensar em quantas índias não fizeram o mesmo durante todos os anos de extermínio dos povos indígenas na época da colonização; quantas índias não foram obrigadas a migrar cada vez mais para dentro para proteger seus filhos e consequentemente proteger a continuidade de sua etnia; etc, etc, etc, para não ficar falando das barbáries pelas quais já passaram as índias do nosso Brasil. Segundo porque me fez pensar como a nossa sociedade divide de maneira tão clara os papéis dos homens e das mulheres. Sem querer idealizar os indígenas e defender o mito do bom selvagem, porque também dentro das comunidades indígenas existe a questão da construção de gênero. Porém, a uma mulher geralmente lhe é atribuído o papel de realizar o trabalho reprodutivo e no meio privado. Esta índia cumpria seu papel perfeitamente. Porém ela também estava ocupando um espaço público, de embate, que geralmente é atribuído apenas aos homens. Era a emoção de uma mãe que movia uma mulher a agir como guerreira e defensora de sua terra.
Bom, é com esse relato singelo que procuro abrir minhas reflexões sobre a indignação de mulheres de todo o mundo. Relato singelo, mas que por trás possui uma complexidade de questões envolvidas. Perceber como as índias atuam em prol de uma causa nos faz pensar não só nelas, mas em nós, em mim, como brasileira e mestiça.
Para saber um pouco mais sobre a luta das mulheres indígenas no Santuário dos Pajés, em Brasília:
No facebook: Carta de Apoio.
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Larissa Araújo
Indignada latino-americana, a Lari vem tentando mudar o mundo e a si mesma. O Feminismo tem ajudado bastante. Contribui com a coluna "Mulheres pelo Mundo".


quarta-feira, outubro 26, 2011


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